Thursday, June 11, 2009

CAMINHOS

Percebi que abri os olhos, não como cotidianamente,
Ao acordar com o som de pássaros, crianças gritando, latidos de cães ou devido ao som do fechar e abrir portas de minha casa,
Nem porque o sol iluminava minha face de modo singelo e caloroso.
Ninguém havia me evocado,
Nem havia eu levado um grande susto ou tido um acesso de gargalhadas,
Nem mesmo verti lagrimas de desespero para abri-los após e enfrentar o mundo.
Abri os olhos e infelizmente não foi após um beijo amoroso ou um abraço amistoso.

Vi-me como uma criança solitária
Em meio a uma rua deserta
Com mil caminhos a tomar
E nenhuma certeza a me acompanhar
Pra quê chorar e lamentar?
Pois a nenhum ouvido irá chegar
Há quem ouça e despreze
Outros, nem ouvem para não sentir

Escolhi o caminho da verdade
Este findou e nada havia nele
Soube que não há verdade absoluta
Cada verdade tem seu dono
Cada qual com sua ferida
Centro absoluto de sua vida

Fui ao caminho da ignorância
Nem quis saber de nada, empurrei, entrei.
Que surpresa! Estava lotada
Porem, ninguém nada via
Tanto a si e muito menos aos outros
Animal irracional desigual
Assim como investi para entrar do mesmo modo saí

Já o caminho da beleza era esplendoroso
Todos se olhavam e se elogiavam
Arrogância plena, que linda sua pena!
Cenas de alegria, tristeza e surpresa!
Todos eram alguém para outros olhos
E aos seus nada viam de concreto e completo
Cabelos, olhos, pele, glúteos, abdome, monte de células bem arranjadas e muito valorizadas

Cai no caminho da loucura
Já sai ouvindo o céu azul
Bebi a água do mar, doce e refrescante
Pessoas catavam alegria no ar e jogavam magoas ao andar
Sonhavam alucinantemente ao dia
Achavam normais todos os tipos de injustiças
Confuso, entrei de volta a rua

Na ruela do conhecimento
Difícil de entrar e ficar
Expremi-me, fui de lado
Esquivando-me dos obstáculos
Conheci muito de nada e nada de tudo
Vivi o que não queria, mas ali tive alegrias
E soube que saber, não é poder sem ação

Em um dos muros sujos e mal cuidados havia uma fresta
Da qual emanava um clarão, fui verificar
A felicidade tomou conta de mim
Tudo podia ser e viver sem preocupar-me com o amanha
Ao meu lado a pureza a igualdade e fraternidade de mãos dadas andavam e eu sonhava
Mas não podia entrar e sem querer
Pude ver que a felicidade não é plena

Caminhei, caminhei e nada encontrei
A criança que havia em mim crescera
Finalmente entrara em um caminho que não desejara
A grande porta prateada com um ponto de interrogação se abrira
E o corpo daquela tão amada criança ficara no patamar da porta
O que lá ela encontrara, não sei, mas um dia saberei


Kildare Serra Azul Laet
(O lado poeta do meu filhote)